Hoje fui ao velório de um tio de minha esposa. Os parentes, todos, estavam lá. Observei que ao fundo da sala havia sido posto algumas grinaldas, guirlandas ou coroas com suas flores e perfumes arrumadas contornando a urna fúnebre. Quase todas ostentavam faixas com alguns dizeres de sentimentos pesarosos, mas, sempre dando a entender que o morto fora um sujeito querido. Como tinha muito delas fiquei pensando o quanto o tio era querido, e, que a quantidade delas representava a expressão desse querer bem por parte dos amigos e parentes ali representados nas faixas. Eram de todas as cores, compostas por flores das mais diversas.
Um grupo reunido quase no centro da sala, composto por sobrinhos e amigos riam de uma anedota contada por um deles, esse sempre pronto a contar suas piadas. Um outro instigava-o a contar mais.
- Sabe, no enterro do Gilberto, o Amazonino chegou perto do caixão e começou a chorar. O que acontecera antes determinou a choradeira, é que, quando adoeceu pra morrer, mesmo, o doente chamara o Amazonino e teria dito: Aqui está um bilhete meu para você, amigo, mas, por favor só abra quando eu me for. Assim, Amazonino fizera, antes de chegar ao caixão abrira o tal bilhete e lera:
- Até breve Amazonino, então, ele caíra no pranto.
Os outros membros do grupo morreram de rir, não sei bem porque, pois, o assunto não é tão engraçado assim.
Minha visão mudou para um senhor que tentava a todo custo consolar um dos filhos. A expressão séria do homem me deu vontade de rir, pois, por mais que se tente convencer outro para que ele não fique triste com a morte, vê-se a inutilidade de tudo que se fala nesses momentos, o sofrimento fala mais alto. O filho, acho, estava querendo consolar o consolador.
Outro, juntamente com a esposa assinava a lista de presença, colocada à entrada ou saída, pois, a porta era comum tanto para um quanto para o outro, com uma coluna para a assinatura do nome e outra para o telefone, talvez, para mais tarde alguém da família ligar agradecendo a presença física naquela hora tão difícil.
- Como vai a senhora, perguntei à mãe de um amigo. Como ela me dissera que estava tudo bem, tomei outro rumo, passando ao lado de outro grupo onde comentavam as virtudes do finado. Me enderecei à uma cadeira encostada na parede oposta a essa aonde me encontrava e sentei ali, pensativo, a morte como tema central do pensamento e sentindo que a vida tem um tempo muito curto, portanto, deve-se vivê-la intensamente nesse momento que se chama de agora. Hoje deve ser a celebração da vida, como acredito, tenha sido a vida deste senhor que hoje partiu, senão, não tem validade alguma ter vivido.
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