terça-feira, 11 de agosto de 2009

Capitalismo Selvagem.

Os interesses, que regem o mundo, são na sua grande maioria um alicerce para que não haja nenhuma modificação nos sistemas governamentais existentes mundo a fora. Normalmente, os que anseiam o poder, se digladiando uns contra os outros, numa guerra sem fim, apóiam integralmente o livre ganho, as oportunidades relativas, pois, só a ela têm acesso aqueles que estão “por perto do poder”. São pessoas que, ingenuamente ou não, se deixam levar por uma onda de querer ter, num processo infinito de ânsia e de “em nome da família” se querer ter tudo que o mundo pode oferecer.

Um dia desses estava assistindo, com meu filho, um filme chamado Scarface. É uma história que pode até ter acontecido, pois, um rapazola, cheio de vontade, nascido em Havana, Cuba, consegue chegar até os EUA numa leva de presos políticos liberados por Fidel. Em chegando lá, muitas oportunidades se abrem para gananciosos que se tiverem bastante coragem podem subir e ganhar os píncaros da glória humana, enquanto ganho de dinheiro. Ele, depois, de matar, roubar e ser vendedor e passador de drogas atinge esse nível onde, como um imperador, tem-se o poder de vida e morte sobre os outros mortais, posto que agora ele galgou um patamar de comando total. O final, é lógico, é sua morte, mas, não o fim da ganância e das oportunidades que outros Scarfaces terão, porque, inerente ao homem, sem perspectiva de vida, a não ser a idéia concreta de ter tudo o que a vida pode oferecer, pois, o pensamento é que o ser só se atinge no céu, se existir, dizem alguns, e, que aqui o que vale é a realidade dura da falta de educação, de oportunidades, de falta de comando na direção correta, da honestidade, da falta de punidade, da falta de amor, emoções que se sente, mas, que aqui não têm nenhum valor explícito a não ser de pertencer a uma classe de gente que não leva a vida a sério, aqueles que crêem numa continuidade da vida pós-morte.

Esse exemplo é de um micro cosmo, uma única vida que, corajosamente, resolveu se insurgir contra tudo que se chama de normalidade, contra tudo que se chama de normal na sociedade, gerando uma alienação muito exacerbada, resultando no seu próprio fim. Se passarmos os fatos para um macrocosmo, como um país, veremos não muita diferença, certeza que o sistema capitalista, assim como o socialista, pregado nos moldes da revolução russa de 1917, estão, um já totalmente acabado, em suas pretensões, os socialista, e, o outro totalmente sem governo, a não ser dos interesses mais violentos e beligerantes que o mundo, como história, já conheceu, e, também caminhando a passos largos para seu fim. Acho que nem mesmo o império Romano, com sua pax, estendida por quase nove séculos, foi maior que o império americano ou outros ditos capitalistas, de tamanho infinitamente menor em números de anos, mas, muitas vezes mais impactantes que o outro, ou outros, como o Grego, o Egípcio etc. Todos tiveram ou vão ter um fim, posto que tudo se renova, mas, as bases, os alicerces do plantado continuará até que outras gerações abandonem por completos as práxis e novas idéias e novos rumos sejam tomados pelo mundo.

Acho que assim como a revolução cultural, que seguiu o pós-guerra, deu uma nova direção aos rumos mundiais, assim também deverá acontecer com os novos conceitos de moral, ética, que, talvez, sejam nada mais do que uma repetição dos antigos, como dizia Belchior em uma de suas músicas: “o problema é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais...”, de maneira que dêem uma nova esperança de vida aos bilhões de pessoas que vivem no planeta.

Há uma teoria que vez em quando o planeta precisa e acha meios de diminuir a pressão humana exercida sobre ele e que gera uma defesa, por parte dele, e, alguns meios usados, para isto, são a mortalidade por doenças, por guerras, por fome, terremotos, tsunamis, e, outros. Sempre o grande produtor dessas defesas naturais é o homem, com sua grande ganância e ânsia de poder, acaba por destruir tudo e todos ao seu redor, desde que ele seja o grande beneficiado em seus interesses. O problema do homem está na forma e na gerência da vida, e, ele sabe que por si só não há salvação para o caos para onde a humanidade, conduzida por ela mesma, está caminhando.

Oxalá, contrariamente a tudo que está acontecendo, ainda permita se pensar existir uma espécie de redenção para o humano, e, portanto para a terra (natureza). Talvez, não dê tempo, nesta terra, os sábios que detêm o poder não se contentam só com o que têm, precisam de mais para satisfazerem seus egos. É o capitalismo selvagem presente em todo canto, travestido de luz para enganar a muitos.

Maranata, Senhor.

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