Há uma multidão de apavorados com a chamada gripe suína. São pessoas de todas as camadas sociais e que estão se sentindo totalmente descobertas na prevenção e controle da pandemia.
- Transferi minha viagem para o final do mês, acho que até lá a gripe já não está tão atuante...
- Não vou ao sul, nem que me paguem...
- Rapaz, não viaje para lá, olha, a gripe não respeita classes, cor e religião, não respeita nada...
São frases que se ouve, hoje, com freqüência. As vendas de álcool gel e gel para limpeza de mãos, rapidamente acabaram nos estoques das drogarias e distribuidoras. Alguns casos de morte por tal gripe não foram ainda divulgadas de maneira que a população fica e sente desprotegida. Há que se clarear, ou socializar as informações de maneira que traga à população tranqüilidade e aprendizado de como lidar com a virose.
Li, recentemente, o caminho que o vírus percorreu até ser mutante e poder afetar o ser humano, numa capacidade letal incrível, comparado que está ao da gripe espanhola, de 1918, que ceifou milhares e milhares de vítimas.
Falo por mim mesmo. Quando estou no consultório e entro em contato com alguém espirrando, com coriza e olhos vermelhos, dores musculares, moleza infinda, então, o preconceito contra os suínos, apelido carinhoso para os gripados, se apossa de mim e logo estou à volta com o medo de contraí-la, e, me refugio o máximo que posso não atendendo e tentando orientar o que sei da famigerada, numa tentativa de contribuição na prevenção. Alguns me olham desconfiados pensando em como um dentista pode ajudá-los, mas, a mensagem de que se deve pensar no assunto certamente atinge o ouvinte.
Há um apelo das autoridades para que a população tenha certos cuidados no lidar, do dia a dia, de uma pessoa com outra. Evitar ambientes freqüentados por muita gente, beijinhos, principalmente “bitocas”, quaisquer ações que possam deixar as mucosas, como dos olhos, da boca, nariz e etc..., vulneráveis ou em contato com a saliva ou gotículas de saliva, quando da fala, do espirro, do esfregar os dedos nessas mucosas, compartilhamento de copos ou qualquer objeto que possa ser veículo de transmissão do vírus.
São novos momentos, esses que vivemos. Há que ter mudanças de hábitos, numa manobra preventiva que nos torne mais confiantes e esperançosos que vamos dominar mais uma vez esse microscópicos seres, às vezes inimigo e outras amigo, como as bactérias que habitam e equilibram nosso intestino.
Deus nos dê tranqüilidade para encararmos mais esse anseio de aniquilamento da nossa espécie, anseio este gerado por nós mesmos, posto que somos os maiores predadores da natureza conhecida, e, também nos dê coragem para tornarmos reversível o que ainda dá para reverter, pois, com nossas pesquisas e descobertas temos dado chance de proliferação fora de controle desses seres microcópicos. Nós, seres humanos, nos aprimoramos em tentativas de suicídio coletivo. Veja a camada de ozônio, a derrubada das florestas, a miséria maior exposta através da fome mundial, as catástrofes, como os tsunamis, os terremotos, a guerra bacteriológica, as invencionices genéticas, os antibióticos mal usados, os pesticidas, as guerras, enfim, a procura não sei por que, de autodestruição, sede de sangue e de se julgar melhor, na criação, que todas as outras criaturas.
Não mais nos apavoremos. Simplesmente cumpramos, cada um, nossa cota individual de amor.
Maranata, Senhor.
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