quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Meu Pai, Herói dos bons.

Domingo se comemorará o dia dos pais. É um dia de alegria para quem os tem e de recordação para os que os perderam ao longo da vida. É muito importante a figura paterna na criação e solidificação da vida do ser humano que requer toda atenção durante seu crescer. Há, ou houve alguns muito austeros, ríspidos, cuja posição em relação aos fatos e educação sempre foi muito carregada de disciplina extrema, mas, sempre muito bem intencionados, sempre querendo o melhor para os rebentos. Há, ou houve os mais amorosos, que da mesma forma também sempre quiseram o melhor para seus descendentes. Há, ou houve alguns que, por desorganização não conseguiram tornar possível seus sonhos de educação e de bem estar para os filhos, pois, suas posições em vez de os fortalecer os tornaram frágeis demais para a convivência em um mundo cheio de tratamentos diferentes e de oportunidades diferentes impostos por sistemas de governo massacrantes onde o mais importante é o capital que se superpõe ao homem, que deveria ser o produto final de qualquer investida relacional, junto com toda a criação, incluindo a natureza, fauna e flora.

As escolas estão se preparando para mais uma comemoração. Fotos de pais com os filhos são requeridas para murais, programas de recreação, como futebol entre pais e filhos, de auditório, com encenações educativas mostrando a conveniência de um bom relacionamento entre pais e filhos, presentes, surpresas, poesias, flores, e uma infinidade de opções, propondo um bom desempenho entre a escola e educação do lar.

Tenho meu pai ainda vivo e bem, aparentemente, de saúde. Vai fazer 84 anos agora em agosto. Fico olhando para ele e o vendo alguns anos atrás, tão cheio de vigor e de vida, em todos os sentidos, e, me dá uma espécie de alegria de ter sido direcionado geneticamente para que esse grande ser humano fosse meu pai. É um ser humano pequeno, de baixa estatura, magro, de feições finas, e, de uma paciência, adquirida no sofrimento da pobreza intensa que viveu em sua infância junto com sua família migrante do Maranhão para o Amazonas na tentativa de melhoria de vida. Com muita dificuldade, estudando a noite e trabalhando, primeiro como vendedor de perfumes caseiros, produzidos por minha avó, sua mãe, trazendo um trocado diário para a sobrevivência da família. Mais tarde essa disciplina, imposta pela necessidade, serviria para consolidar sua personalidade e sua visão ética da vida. Estudou direito, depois, de casado e com filhos se graduando e mais tarde se especializando em direito tributário, fonte de duas impressões literárias. Nessa fornalha humana, aquecido por amor, formou-se este grande ser humano que é o Dr. Manoel do Carmo Neves Silva, meu pai, meu protótipo de ser humano.

Meu pai inspirou a muita gente por sua intensa relação com Deus, não como um simplista, mas, provinda da observação e tenacidade da prática, numa compreensão do ser humano em uma ótica verdadeiramente cristã. Sua caridade, sua compreensão que o homem perdido, como uma casca de noz no mar, uma poeira cósmica vagando em um planeta tão pequeno que nem se conta, necessita de algo superior, e, portanto, suas inter-relações, seja entre os próprios seres humanos quanto com a natureza de modo geral, são regidas, justamente, por esta relação Homem-Deus, que extrapola quaisquer pensamentos, e, que direciona o resultado das relações resumidamente em uma única palavra: Amor.

Não gosto de dar parabéns a ninguém por nada, mas, considerando a celeridade da vida, e, sua finitude, digo a meu pai:

Parabéns, por sua vida, por sua obra, por sua compreensão da vida e sua complexidade, por sua paciência, por sua ética, por sua forte relação com Deus, origem de tudo, por me ter dado a oportunidade de viver, por ser, sobretudo, este grande SER HUMANO que você é.


 

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