sábado, 29 de agosto de 2009

Separação é dor, é ruim.

A separação é um dos males de maior impacto na vida das pessoas. Ela, como se fora uma corpo estranho no organismo, desorganiza toda nossa vida, nosso pensamento, nosso modo de viver, é como se fosse um dos trilhões de micro-organismos que se instalaram e estão em nossa pele ao longo de nosso corpo, esperando o momento certo para nos atacar e nos derrubar, pois, a separação, seja como for não é nunca bem-vinda. Se por um lado enxuga um relacionamento, por outro estraga essa relação, às vezes, para sempre, de uma maneira nem sempre passível de recuperação. Quando se separa de alguém ou de algo muito caro a nós, abre-se uma enorme fenda em nossas vidas, seja qual for o motivo. Se morte, então, a idéia do para sempre nos faz sofrer ainda mais. Se separação conjugal implica em que não fomos capazes de lidar e levarmos a termo uma relação que um dia juramos e pensamos que seria para a eternidade, mas que por um motivo qualquer, e, às vezes, qualquer mesmo, nos faz romper, apesar de filhos, netos, esposas, maridos, amigos, com tudo que prometemos um dia cumprir. A separação macula e machuca os separados. Às tontas ficamos sem entendermos direito o que se passa naquela ocasião. Lembro-me do dia da morte de minha mãe. Estava com o estetoscópio em seu peito e o arfar, roncos, levantavam seu esterno, fazendo-o subir e descer, num ritmo acelerado, até que a finitude chegou ao seu limite e ela se foi. Separação indesejada, como todas elas.
Vi dezenas de casais se separando e deixando para trás toda uma vida, vivida e compartilhada com os seus. Nada mais conta a não ser um futuro incerto e duvidoso. Vi amigos romperem amizades que se pensava sólidas, por besteiras que não se conta como fofocas, falta de palavra, mentiras, e, tantas vezes a própria verdade. Causas das mais variadas formas, efeitos das mais variadas causas. Tudo se junta numa desesperada confluência, a solidão e seus medos. Não se pode dizer que estamos imunes a esse terrível monstro que depende unicamente de cada ser humano que está em relação.
É, como dizia, a mais massacrante forma de dor, porque, além de não se explicar, não admite a intromissão de quaisquer conceitos que elucidem tais fatos, já que, por si só a separação é inexplicável.
No caso de separação conjugal é comum se dizer, principalmente os homens, que não se tem mais atração pela esposa, que não se é hipócrita de levar adiante um relacionamento onde não existe mais amor, que foi um engano a idéia de um dia ter dito que era. E a hipocrisia de outro relacionamento começa do zero até o limite do erro ser preenchido, igual ao que era.
Peço a Deus para nós possamos levar nossos propósitos com responsabilidade e a veleidade de dever cumprido junto aos nossos, mesmo com todas as subidas e descidas que se nos é oferecido nesse incompreensível e pequeno préstito que se chama de vida.

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