terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tchau, então, tchau.

Tem palavras, realmente, que precisam de conceito mais pontual. É o caso da palavra amizadade. Há quem a conceitue como sendo uma forma assexuada do amor. É um amor sem sexo. Não gosto desse conceito, pois, é uma tentativa de desvinculá-lo do interesse que há em qualquer relação humana. Certo escritor russo, preso em um campo de concentração, conceitou, tanto a amizadade como o amor:
- Na necessidade real, profunda, não hà amor nem amizade, mas, sòmente o instinto de sobrevivência.
Não acredito nisto. Grandes nomes da História morreram ou entregaram suas vidas por objetivos e pessoas, por acreditarem numa espécie de redenção. Acredito que haja sòmente o amor. Mesmo nas relações assexuadas, como na amizade, onde o limite é o sexo, há uma espécie de sexualidade latente, virtual, não manifesta, e, no sofrimento relacional, tanto uma como outra são sujeitas as mesmas necessidades. É claro, que nem sempre as relações são certinhas, senão, não existiria separações ou trocas de interesse, essa necessidade animal presente em todas as espécieis.
Namorei aos dozes anos. A puerícia era o comandante da relação. As brincadeiras típicas da pré-adolescência, depois de um tempo de namoro, passaram a ser acompanhadas por momentos de aproximação física mais intensa. As famílias, tanto de um como de outro, passaram a demonstrar nitidamente preocupações no rumo do relacionamento à medida que o tempo desenvolvia naturalmente os desejos de uma relação. Eu não compreendia o aumento contínuo das restrições impostas pela sede social de regrar o comportamento. Não, essa palavra tão ruim, passou a ser uma medida corriqueira e em breve acabou, por ter crescido tanto, por sufocar o relacionamento. Acabou, sub-liminarmente, sem explicação lógica. Que dor, que tipo de sensação profundamente pesada, pesarosa. O normal clama pela continuidade e não entende a cobrança desigual da sociedade. Tchau, amor. Então, tchau.
Alguns amigos meus, quando em vez, recebem um telefonema:
- Oi, Fulano ou oi, Fulana, aqui é o grande mantenedor dessa amizadade, pois, se eu não ligar ou for até você, ela certamente morrerá.
Essa declaração mostra claramente que algum amigo meu não está mais necessitando de nada de minha vida, senão, ele ligaria constantemente, teria alegria de compartilhar algo de sua vida, porquanto, em algum momento de sua vida teve, senão, não seria amigo, mas, agora a correria da vida, novas perspectivas, novos relacionamentos, novos rumos, sufocaram a nossa relação. Normalmente, eles riem e querem marcar encontros, cafés, enfim, recomeçar. Tem outros que simplesmente, realmente, não necessitam de mais nada e dizem, tchau, um tchau sem abraços nem beijos, simplesmente tchau como se todos os tchaus fossem ou houveram sido assim.
Tive amigos, desde a infância, ou de grande lapso de tempo que acabaram trocando a amizade por besteiras, como "pegaram corda" de alguma fofocada, interpretaram caras e manias, minhas, como ofensivas, se deixaram levar por isto ou por aquilo, às vezes, porque atingiram um outro nível de poder, provando e gritando bem alto que nunca foram amigos. Até na despedida se tornaram lacônicos, iracundos, sintetizando que nunca pretenderam amizade, agindo injustamente, colocando remendo novo em pano velho. Choro, como chorei na despedida de minha namorada da história inicial, mas, fazer o quê?, continuo achando que é na simplicidade da vida e não no poder que as relações existem, para sempre, na forma de amor.
- Tchau...
- Tchau, a vida continua, mas, continua perneta, maneta, sem entender nada das relações, que podem ter altos e baixos, com um baita buraco no peito, coração arrítmico, que acaba sangrando, mas, certamente e apesar de tudo sara é claro com sequelas. Tchau.

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