Indignei-me com as mortes dos dois policiais federais em combate contra traficantes de drogas, no interior de nosso estado. A operação aconteceu de madrugada. O combate foi totalmente desigual. Os contrabandistas, possuidores de um poder de fogo muitas vezes superior aos dos policiais, atiraram violentamemte contra os policiais no intuíto de proteger seus bens maiores: os quilos de cocaína. Vidas foram ceifadas em troca de cocaína.
Chega-nos a notícia de que as armas, o barco, a proteção de um modo geral, dos bandidos, tudo era muito melhor, mais moderno, mais eficiente. Do lado policial faltava tudo, desde o tipo das armas, mais antiguadas que a dos bandidos, a falta de coletes, blindagem das lanchas, enfim, tudo que se concebe ser de importância vital, na proteção de quem é profissional, vive dessa necessidade universal de dar proteção à sociedade. Os policiais estavam, aparentemente, desprotegidos, mas, ao mesmo tempo tendo que cumprir sua missão, sempre imaginando que o extremo não aconteceria, nunca chegaria até eles, num sentimento comum, conosco não acontece, só com os outros.
O que penso, na verdade, é que vidas humanas, na correnteza desenfreada da violência, da loucura do cada um por si, foram ceifadas em troca de nada. Nada de valor, pois, uma vida, jamais, pode ser comparada a pó de cocaína, ou qualquer outra coisa, pois, nada substitui esse valor. As exclamações mais variadas, como de admiração, de surpresa, de perplexidade, nesta hora, são lugares comuns, pois, refletem apenas o medo coletivo, e, mesmo a reprovação no conduzir das políticas públicas de segurança, por parte dos governos. Não são expressão do verdadeiro anseio de se reprimir o mal como um todo, pois, passados alguns dias as vidas, dos cidadãos comuns, voltam à normalidade.
Essa questão envolve e mexe com todas as políticas públicas que têm um leque de grande espectro, desde a saúde, passando, principalmente, pela educação e os laivos deixados por boas ou más políticas, a distribuição de rendas, a socialização do ser, a busca incessante da vontade de viver em toda a sociedade, as formas de políticas de base, para se poder saber todos os ângulos das necessidades reais da população. Talvez, essas medidas, efetivadas verdadeiramente, amenizassem um pouco as brechas deixadas pela fome desenfreada do poder e todas as suas nuances e quem sabe diminuissem a pobreza, a miséria, o desapego à vida, e, o desprezo pela vida dos outros, e, talvez, pudéssemos alcançar um pouco de paz e que esse fato seja um disparador social para o começo de uma nova era.
Maranata, Senhor.
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