quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Do nada a canelada.

Acordei com o choro de Guilherme. Alerta geral, talvez, ele tivesse caído da cama e se machucado, isso era possível? Ele estivera deitado ao meu lado tanto tempo, sem cair, que nem sei se isto pudesse acontecer. Não, ele tivera fome agora chorava copiosamente. Ou, talvez, eu estivera sonhando e no sonho ouvira o tal choro. Agora o silêncio era grande. Corajosamente abri um dos olhos, pronto para fechá-lo, no caso de ser sonho, para poder continuar sonhando. Talvez, também, pudesse ser a hora da mamadeira, aquela que o neném grita, chora e nada o faz parar a não ser sua comida, quentinha e gostosa, se não, não come, ou toma a mamada. Bom, talvez, fosse tudo junto e eu tivesse mesmo que me levantar e parar de sonhar e encarar o quer que fosse. E se fosse aquele inconveniente número dois? Não, talvez, de tudo que é necessário para o bem estar do bebê esse seja o número que ninguém quer.
Acho melhor abrir os olhos, pensei eu. De repente, novamente o choro alto mais forte, me reclamando por não ter respondido logo no primeiro apêlo. Saltei da cama, em um único pulo, e, pegando-o no colo me enderecei à sala de estar de nossa casa na esperança de ter alguém acordado. Na pressa, dei uma forte canelada na beira de esquina de minha cama com meu joelho esquerdo. A dor, posso afirmar, é lancinante. Fagulhas de fogo percorreram meu corpo e num forte instinto aconcheguei Guilherme mais preso ao meu corpo, para protegê-lo de uma possível queda. Fiquei a pular somente em um dos pés, o do joelho machucado pendurado, precisando de algo que minorasse a dor, mas, naquele momento doendo horrores e eu ali pulando numa perna só.
O Guilherme acordara e ficara me encarando como que em busca de uma explicação lógica para comportamento tão esdrúxelo quanto o meu. Na hora não dá para explicar, só depois, quando a dor melhorou, o galo canelar se aquietou é que pude tentar entender o que acordara o Guilherme. Não tinha sido nada, aparentemente, a não ser o vento gelado do ar condicionado que estivera a noite toda ventando em cima dele provocando frio no seu corpo.
Do nada restara apenas um enorme galo em minha canela esquerda. Que canelada.

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