O bulldog chegara de madrugada, e, mesmo assim os meninos, excitados com a idéia de um bulldog inglês dentro da casa, esperavam, ansiosos e acordados a tal criaturinha sair da casinha onde viera toda viagem.
Abriram a porta e o filhote, Thor, nome saído de uma lista tríplice saiu farejando, colocando seu pequeno nariz, rapidamente em todos os lugares por ali. Os mimos eram muitos.
- Olha que coisa mais linda...
- Olha como ele anda...
- Olha como ele é gordinho...
- Parece um porquinho...
O mais novo o colocara no colo e o filhote virando a cabeça tentava a todo custo morder-lhe a cabeça e os braços, o que o pequeno evitava erguendo e jogando sua cabeça para trás e apertando-o mais junto a si. Thor saiu cheirando o chão e buscando algo para mordiscar e transformou os pés de todos em alvo. Seus pequenos dentes eram bem amolados, pareciam agulhas, fininhas prontos a furar qualquer coisa. O cansaço logo atingiu a todos e naturalmente o sono generalizou-se. Todos foram dormir.
O dia seguinte amanheceu como sempre, com o sol já alto, era domingo, os passarinhos nas árvores cantando e o Thor, o bulldog, andando, com seu rebolado, pela sala de estar e cozinha da casa, entre o cocô e xixi da noite. Quem entrasse nesses cômodos sentiria um cheiro pesado, o mesmo que todo canil apresenta. O primeiro a entrar na cozinha foi o mais novo. Esfregando os olhos, tentando se manter acordado e procurando o cachorrinho, que tranqüilamente dormia embaixo de um móvel. Ele virara o peito para cima e dormia como um anjinho, ressonava. A careta feita pelo menor foi a mesma feita pelos outros da casa ao entrarem nesse local.
- Ah! Anjinho fedorento, pensava o dono da casa. Caramba.
O canino, na sala de visita, durante a noite, simplesmente dentara boa parte da laca do móvel da sala, descascando-o na parte inferior.
- Olha o que o Thor fez ao meu móvel, gritava a mulher ao perceber a agressão. Todos correram para ver e comumente pensavam o quanto o cachorrinho era danado.
Apesar da danação do animalzinho todos olhavam para ele com o olhar dos apaixonados, saindo coraçõeszinhos dos olhos, cheios de ternura. Como a vida seria mudada a partir da chegada de tão lindo e danado cachorro que instintivamente continuava a morder tudo que via pela frente, inclusive os pés dos donos, que quando em vez gritavam da alfinetada dos dentes do Bulldog.
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