Desci a Eduardo Ribeiro, dia desses, andando e absorvendo os ares do centro de Manaus, observando a arquitetura bonita dos prédios antigos. Ao passar pelo relógio, antigo monumento da cidade, uma espécie de nostalgia tomou conta de meus pensamentos. Me deparei com a entrada do cais do Porto. Do seu lado esquerdo o imponente prédio, vindo da Europa, todo em blocos pré-montados, onde antigamente funcionava o prédio da alfândega e à direita do portão de entrada os armazéns de estocagem dos contêineres. Ao lado dos armazéns do outro lado da rua íamos, tempos atrás, comprar todo tipo de alimentos importados na Booth's Line, em especial o que era uma delícia, as latas de biscoitos ingleses, amanteigados, dispostos em camadas acomodando diversos tipos e qualidades de delícias. Muito bom.
Íamos, ao cais, toda a família, os mais velhos segurando as mãos dos mais novos. Todo cuidado era pouco. A profundidade, ali onde há o porto é de 40a 45 metros. O cais tem a forma de um T. Os navios ancoram na trave do T e eu ficava admirado com o movimento dos marinheiros, dos carregadores, do vai-e-vem dos trabalhadores e das cargas e tratores. Também o cheiro sui generes do vento que vinha do meio do rio.
Quando em vez via uma canoa com uma cobertura de lona, mas, sem as laterais, de modo que via-se no interior o caboclo vendendo sanduíches, sucos de frutas. Ele ia remando e fazendo propaganda de suas guloseimas. Eram tardes deliciosas, essas dos passeios familiar, mas, depois de um tempo, comandados por meu pai, batíamos em retirada dali e ao subirmos a Eduardo Ribeiro, de volta para casa, tínhamos parada obrigatória na Confeitaria Avenida para comermos e nos deliciarmos com os doces e salgados, tão gostosos que até hoje sinto o gosto do quindim, do caramujo, do rocambole, dos folheados, das empadas, as quais derretiam na boca, dos sucos supergelados de framboesa, de morango, de guaraná etc...
Xingo o motorista que buzinou exatamente agora e me trouxe ao presente. Aqueles dias parecem-me distantes, agora, vívidos na mente, então, olhando saudoso para o portão de entrada para o porto, agora com guardas a guardá-lo, refaço-me e dobrando à esquerda dirijo-me ao Restaurante e Lanchonete Jangadeiro, situado numa praça perto dali para saborear um sanduíche de pernil.
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