Uma viagem sempre vai ser um descanso psicológico, mas, nunca um físico. Estava, antes de ontem, em Boa Vista, cuidando e vivendo o momento com meus netos de lá, e, logicamente, isto demanda uma boa dose de energia. Cheguei em um vôo, de madrugada, onde pude ter a oportunidade de não dormir, literalmente, a noite inteira. Cheguei em Manaus as 06:00 horas e fui direto para casa, onde esperava-me os outros dois netos, que aqui residem. Foi uma festa indescritível. Fizeram uma bagunça comigo. Passado algum tempo manifestei a vontade de tomar uma boa ducha quente e me deitar, para descansar um pouco. Assim foi feito, mas, quando em vez os meninos viam até o quarto, acho que para certificarem-se que eu ainda estava lá, e, um deles ensaiou uma conversa:
- Vô, tá acordado?
- Não, João...
E, satisfeito com a resposta saiu a correr do quarto. Não muito tempo depois ouvi o bater das mãozinhas do Guilherme, em seu ritmo, adentrando ao quarto. Clap, clap, era o som cadenciado de sua aproximação. Por ser muito pequerrucho, sua cabeça abaixo do nível da cama, o danado segurando a ponta do lençol da cama, urdia em levantar-se querendo me ver. Abri os olhos neste momento e vi aquele pedacinho de gente ali me olhando.
- O jeito que dá é levantar-me, pensei e logo executando o comando. Carreguei-o no colo e assim não dormi mais, o resto do dia.
Cheguei cedo em casa pensando: - finalmente vou descansar.
Ao abrir a porta da sala deparei-me com o sorriso mais encantador. O Guilherme, no seu anda já, levantou seu corpo e começou a vir em minha direção. Peguei-o no colo e brinquei um pouco com ele, mas, ele queria mesmo era que eu contasse a estória dos três porquinhos e força do sopro do lobo mau, que de tão forte derrubava as diversas construções dos porquinhos. Que curtição. Quando eu imitava o sopro do lobo quase caia desmaiado, tal o meu cansaço.
Quando o ciclo de brincadeiras terminou, dirigi-me ao quarto e desmaei e apaguei para o mundo, não me lembro de mais nada. Que bom que é dormir. Boa noite...
- Lelé, Lelé, boa noite Alé...
A voz vinha là de dentro de mim. O cenário não mudara. Toda criançada deitada pronta para dormir e meu irmão mais velho:
- Lelé, Lelé, boa noite Alé, meu apelido.
Quando não:
- Xulé, xulé, boa noite Alé.
Eatávamos de férias no Careiro.
Minha mente foi apagando e o cenário sumindo gradualmente.
- Ãe, ãe, ãe, boa noite, mamãe...
- ...
- ...
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