sábado, 23 de outubro de 2010

Lua cheia, felicidade.

Nunca mais tinha tido a oportunidade de comer um churrasco tão gostoso quanto esse que comi na casa de meu filho, aqui em Boa Vista. Saímos para comprar a picanha e logo na visualização vi que seria algo diferente.
A picanha fora escolhida a dedo. O rapaz fora lá na câmara frigorífica e trouxera o que de melhor encontrara por lá. A ponta da picanha. O corte fora feito perfeito. A gordura avultava às carnes.
O carvão, escolhido, depositado na churrasqueira, queimava lentamente. Pouquíssima fumaça. Quando a gordura começou a queimar a derreter na presença do calor, o cheiro característico, da carne sendo assada, espalhou-se através do ar, mexendo com a mente dos vizinhos.
O Quelm, nosso rottwailler, começou a latir com constância, sinal que o cheiro da carne chegara às suas narinas e excitava-o a fome, o que também aontecia conosco. Olhei para o céu. A lua apresentava-se bem redonda, cheia, dominando o céu com seus raios luminosos. Nosso quintal, prateado, por seus raios, demonstrava que nossos instintos mais primitivos exacerbariam numa natureza tão pródiga. Lembrei-me, imediatamente, de Jorge Luis Borges, em seu Borges Oral, quando descreve o céu palestino e indaga acerca de quanto Jesus sentiria saudades do imenso céu palestino, estrelado e com a lua sempre a mostra, e o vinho disponível, ali, junto com seus discípulos, a filosofar e compor a maior filosofia, arte de viver e o socialismo mais puro imaginado na terra.
Me senti iluminado, pensando nisto. Imaginei estar com meu Mestre, aqui. A lua, o vinho, os pensamentos, a condição humana mais à mostra do que nunca, como agora, e, a condição inexpressiva de nunca se poder resolver as questões essenciais da redenção humana, por um momento me sedaram e quis sumir, desaparecer. O dedilhar do Alexandre no violão me reportou à realidade.
- " Estou guardando o que há de bom em mim
Para lhe dar quando você chegar
Toda ternura e todo o meu amor,
Estou guardando para lhe dar."
A felicidade de sentir a presença física dos netos amados e do filho, o luar, o vinho, o sonho de um mundo melhor, a esperança de que nào somente o céu, mas, tudo que gostamos possam nos acompanhar no céu vindouro, me reanimaram e me deram sono. Um mundo longíncuo, anfitriado por Deus, um mundo do sono, um sono fantástico, um sonho lá longe, reparador, potencializado por um feixe de luz prateado, luar de agora, luar do meu sertão, puro, lhano com nossa vida e de quem mais quiser. Felicidade total.

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