quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A estrada da vida.

- Vô, vamos tomar um cafezinho? Era o Enzo me chamando para tomar um cafezinho com ele, mas, somente com ele. Está bem, dissera eu, já me dirigindo à saída, para a garagem. E, lá fomos nós tomar café na Megafarma, o lugar que gosto degustar um bom moca, quando estou em Boa Vista. Conversamos sobre futebol o assunto preferido dele, jogador, aos oito anos, de um dos times da cidade. No dia anterior presenciara dois golaços dele no treino, um dos quais de cobertura, pois, o goleiro saindo dera chance de ser coberto, como foi. - Vô, vamos tomar um cafezinho? Era o Alexandre Neto, no outro dia, véspera de minha volta à Manaus. Da mesma forma, fomos. Conversamos sobre história geral e geografia, tecnologia e seus desdobramentos no futuro, assuntos que ele domina muito bem. Dos deuses do Panteão grego, dos romanos, primeira e segunda guerra, horas de conversação e eu, entre uma conversa e outra, meditando o quanto valeria o tempo parar e eternizar aqueles momentos tão preciosos para nós. A realidade é que só na fotografia os momentos são estaticamente eternizados. Acelerei mais o carro, pois, os pensamentos teimavam em voltar para a casa da qual acabara de sair. Entrara na bola que levava à saída da cidade e finalmente através do para-brisa, limpo pelo movimento das aletas do pára-brisa, que como um João Teimoso, uniformemente deslizavam no vidro, para lá e para cá, visualizei a Br. Pelo retrovisor via a cidade ficando para trás. O carro atingira a velocidade de cruzeiro e um caminhão sonolento, à minha frente, lentamente se arrastava com seu enorme peso pela rodovia, reduzi a marcha da pick-up e esperei o momento correto de ultrapassá-lo. As savanas, de um lado e de outro da estrada, infindas chegando até o horizonte, lá onde a terra encontrava o céu azul-acinzentado e o cheiro de terra molhada invadira o interior do carro me reportando a outros lugares e épocas. De repente o rosto risonho de Davi, no colo da mãe, me aparece em todos lugares do pensamento. Ligo o som e tento fixar os pensamentos na música. Os Bee Gees cantam "I start the joke", na voz macia de um dos Gibbs. Num dos lados da estrada uma garça aterrizara em cima de um galho de árvore no chão da savana. A vida pulsando em todos os lugares e com todos os sons. A estrada tão reta era que os olhos podiam ver todas ondulações, elevações que a rodovia fazIa até o horizonte. Uma felicidade repentina toma conta de minha alma, e, então, agradeço a Deus a graça da vida, vivida com os meus. Mantenho a velocidade, concentrando-me mais na direção do pesado carro.

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