A pessoa, por si só, busca infindas batalhas, travadas em sua privacidade, no âmbito profundo de sua alma, entre o racional e o inconsciente, onde prevalece o nada, as sombrias convicções de que o nada, o desligar-se, onde o mais longe é o que vale. Depressão cada vez mais funda, mortificando a alma e dando a impressão de prá sempre, só vale o que é e o que é, em todos os níveis, machuca, gera sofrimento. Dor de cabeça, somatização que dá vontade de sair e não mais voltar, ficar deitado ali, na pedra, olhando o infinito, desligando-se da central, ficando longe, cada vez mais longe, nenhum vínculo com a vida. Viagem insólita, incomunicável, individual, sonho tenebroso, luz no fim do túnel, gosto de fel, loop de pesadelo, volteios e voltas da mente num giro estonteante.
São ondas, como as do mar, batendo na janela de seus olhos, vento forte, o sal criando uma crosta na retina, visão desfocada, arrepios porejando suores frios. Gargalhadas longínquas, sussurros de gemidos d'alma, sílabas sem fonemas, sons abstratos imagens vultuosas. Latejamento, idas e vindas, dor e alívio, luzes piscando, mulheres com seus seios lá embaixo e tendo em suas pontas um menino tentando mamar nada e olhando prá mim com os olhos bem grandes gritando por socorro, o que aumenta a vontade de voar, de sumir. Mulher, esposa, filhos, netos pisando em areia movediça, gritos, som sem voz, de repente, calmaria, leveza, será? Dormi, adoeci ou morri?
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