O vazio que preenche o coração do homem parece algo sólido, pesado e inexoravelmente parecido com o vazio de antes da formação dos mundos, lugar aonde Deus se encontrava. O vazio é algo que não se conta porque é nada, onde não existe nada, nem positivo nem negativo, massa ou éter ou qualquer coisa mensurável, qualquer forma. No relato bíblico, Deus "pairava sobre a superfície das águas...", mas, antes era o vazio, não existia nada. Vamos supor que o nada se referisse a essas partículas visíveis que conhecemos hoje como átomos, mas, tão condensados e compactados, dentro do mundo de Deus, buraco negro?, e o incrível trabalho nos elementos sub-atômicos, que mais tarde gerariam, em suas expansões o universo que é. Fora deste mundo condensado a tremenda solidão, um espaço que não havia porque não era nada, não comportava nada a não ser algo impensável como os buracos negros, aspirações, repuxos do nada e de onde sairia, em sua explosão, o mundo que hoje vemos. Bilhões de anos de solidão total, de escuridão, até que, no tempo de Deus, os elementos sub-atômicos, o mínimo que se possa conceber, os menores, gerassem formas, luzes, corpos, e no ápice dessa maravilhosa criação: a consciência, posta em uma das menores e frágeis criaturas, o homem, com capacidade de armazenagem atos e fatos, um genoma que carregasse suas especificidades, e, principalmente raciocinasse, fazendo e realizando suas vontades.
O coração, mente humana, está no vazio, tão insolitamente desconhecido quanto o de Deus, antes da criação, paralelos de difícil cruzamento. Vazio diferente apenas no nível psíquico, emocional, em Deus o tudo, apesar da solidão crônica, em todo resto da criação a agudeza da profunda solidão compactada num mínimo espaço de tempo, na brevíssima vida dos mortais. Angústias, dores, sofrimentos, desorganização, produtos da visão, foco, desenvolvida ao longo da história, sempre negativamente, por falta do conhecimento total das coisas, o rumo certo para a felicidade, promessa diabólica, no Éden, "no dia que comeres(do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal) certamente sereis igual a Deus, conhecendo o bem e o mal...", e, o homem não conheceu nada, a não ser a estrada de um aprendizado lento e doloroso, tentando preencher o enorme e massacrante vácuo existencial. O humano vem lentamente, através de complexas transformações químicas , bioquímicas e biológicas, melhorando, nos milhões de anos da existência de vida no planeta, e, tentando reorganizar seu comprometimento maior na criação: conhecer e ser conhecido. Aqui não vale a retórica cristã da simples confissão que Cristo salva a alma angustiada, pecadora, transgressora, de suas mazelas, porque a simples confissão não exonera o homem de conscientemente conduzir "sua nova vida" no veio moral e ético produzido da necessidade social de convivência pacífica. Sua essência sempre será massacrada e o seu "natural" reprimido. A vontade da alma será massacrada por outras vontades o que impede a realização pleno do conhecimento gerando vergonha e diminuição como criatura.
O homem tem tentado explodir seu "buraco negro", isto é, desesperadamente, ao longo da história, preencher seu vazio com alguma criação sua, como Deus fez, e nunca o faz porque não tem onde fixar seu foco, sua visão, por falta de conhecimento, assim, relacionamentos, trabalhos, pesquisas, todo tipo de armazenagem de conhecimento, comércios, indústrias, amores, servem apenas para trabalhar contra si próprio o que gera profundos problemas para a sua própria vida no planeta , como guerras, destruição da natureza, enfim, todas suas ações são usadas para auto-destruição, como uma forma de anular-se, de sentir-se rejeitado na criação. Esse vazio tem um peso, que é o maior que se possa imaginar, pois, é a condensação de todos os elementos, toda matéria, nesse pequeno ponto no espaço, que é nossa consciência(o salmista diz: "o que é o homem mortal para que Deus se lembre dele...?), a qual será renovo a partir da experiência de Jesus, com seu corpo ressurrecto, diante de uns discípulos totalmente ignorantes quanto essa enorme e linda possibilidade. Os laços da compreensão e do jugo(falta de conhecimento) rompidos gerando novas possibilidades, quebrando a ignorância, novos caminhos de vida e de felicidade, a consciência conhecendo e dando-se a conhecer num espaço de tempo impensável. Um novo tempo, uma nova consciência a partir de um novo fato, a ressurreição, isto é, a transformação de nossos corpos em novos corpos(consciências) capazes de assimilar e compreender fatos que agora não compreendemos. Esta é a mensagem da Páscoa: Jesus ressuscitou e agora vivo está, porta aberta para novas e vibrantes experiências, nossa esperança e fé.
Feliz Páscoa!
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