quinta-feira, 10 de maio de 2012

Lucca.

Hoje nasceu Lucca um sobrinho da Socorrita, meu por afinidade, mas, tão solidamente sobrinho quanto o pai, que vi crescer e aprendi a amar como filho. Ouvi seu grito forte, proveniente do grito de dor quando da entrada de ar em seus pequeninos pulmões, e, imediatamente todos os nascidos assistidos por mim, renasceram e toda imagem presenciada há tantos tempos voltaram como mágica em minha mente. Lucca, filho de Olintho Cabral e Cinara Cabral, nasceu hoje, assistido pelas doutoras Nely Alencar e Marilena Louppi, ambas excepcionais obstetras, veio ao mundo para preencher, tanto historicamente quanto psicologicamente, a lacuna proveniente do mandamento dado por Deus, " crescei e multiplicai ...". Naquele choro forte, vindo do fundo de sua alma, revivi a trajetória do nascimento de Alexandre Filho e seus filhos, meus netos, Alexandre Neto, Enzo e Davi, e, os filhos de Gabriela, minha filha, João Gabriel e Guilherme, do Rodriguinho, Ana Clara, esses parentes tão próximos e amados. Não um reviver superficial, mas, um mais profundo, mais sólido. Os choros, as caretas, as roupinhas, o estranho ar de quem não está satisfeito por nascer, de quem quer voltar para o quentinho do útero, tudo contribui para a eternização do momento. Volto minha atenção para o trabalho competente das médicas. Aqui uma pinça, ali uma sutura, o enxugar de um sangramento, as camadas voltando ao seus antigos lugares, o feixe de luz do refletor, certinho no centro da cirurgiada, o andar despreocupado da anestesista, o cadenciar dos pingos do soro, me levam a retorno no tempo, e, a volta rápida para a cirurgia atual. A pediatra, neo-natologista, segura firme Lucca nos braços e o leva até o rosto cansado de Cinara que sorri com ternura absorvendo aquele momento mágico. O choro forte, alto, reclamante é registrado por minha máquina digital, paralisa os movimentos, eterniza o momento. Tento acompanhar a pediatra, mas, rápida e lépida, entra em sua sala onde deve proceder a limpeza e exame mais profundo do recém-nato. Fico na porta esperando. - Ele está bem, perfeito... Retorno à sala de cirurgia e vejo que as médicas estão para encerrar todos os procedimentos. Resolvo sair e lá fora, com a família, mostrar as fotos e alegrar-me, como diz o salmista: " Este é o dia que Deus fez para nós, alegremo-nos e regozijemo-nos nele..." Parabéns Olintho e Cinara meus amados, mais amados ainda com o Lucca chegando a esse nosso mundinho, mundão, lugar bom para viver.

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