domingo, 25 de março de 2012

Chico, humor à flor da pele.

Tudo passa e sempre passará. A vida junto com tudo. Fã incondicional de Chico Anísio senti profundamente sua esperada morte, posto que doente estava, internado há quase quatro meses. Homem de talento e detentor de um extraordinário senso de observação, retirava do dia a dia, personagens dos mais o diversos matizes, criando, assim, um grande cartel de personalidades queridíssimas pela população de um modo geral.
Há tempos atrás ouvi uma palestra, na igreja Assembléia de Deus, freqüentada por meu amigo Miquéias Fernandes e responsável por minha ida até lá, a respeito, desse raro dom, de pessoas que influenciam outras ou por ações, ou por palavras, enfim, pessoas que de uma forma ou de outra influem e mudam vidas e marcam suas passagens na vida de uma forma mais marcante que outras. O pastor fez um apanhado na História buscando esses abençoados e caminhando até nossos dias e depois voltando, nessa maravilhosa viagem no tempo, até Jesus, o maior de todos os influenciadores, mas, por um motivo qualquer esqueceu-se de alocar, entre esses, o Chico, o maior de todos os humoristas brasileiros, colocador nas frases mais corriqueiras, de uso diário, expressões que todos nós usamos.
- Eu vou bater pra tu pra tu bater pra tua patota...
- Tá com pena, leva pra tua casa...
- É mentira, Terta?
- Eu sou jovem...
- E o salário, ó..., mostrando um espaço pequeno entre o indicador e o polegar.
Um gênio, com mais de duzentas personagens, com características totalmente individualizadas e com vida própria, que nos divertiram durante muitos anos, mostrando que importa que vejamos a vida, dura e cruel, com os olhos do bom humor, de uma súbita vontade de eternidade, que depende exclusivamente da forma como encaramos os problemas que aparecem em nossas vidas. Tão forte era esse compromisso com a vida que em uma de suas últimas entrevistas, Chico comoveu-me com uma resposta à uma pergunta da repórter:
- Chico, você tem medo de morrer?
E, a resposta incontinente, rápida, pronta:
- Não tenho medo de morrer, tenho pena...
Registro, nesta crônica, com pesar a morte desse grande homem.

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