Após um período de férias retorno ao gostoso hobby de escrever. Contar coisas de meu coração, da vida e do que observo como conclusivo e que de alguma forma possa ajudar alguém a pensar em determinados assuntos.
A casa ficou cheia, tiriaga às dores da vida e do mundo. Todos os filhos novamente reunidos tanto no natal quanto na entrada de ano novo. Os netos com suas gracinhas, puerícia sadia em infindas brincadeiras no condomínio do prédio. Piscina, quadras, jogos de toda espécie, transformaram as férias deles e as minhas em verdadeiro ninho de felicidade e de vontade de viver, explico melhor, na verdade queria que o tempo parasse como o tempo da terra do nunca. Tudo congelado ali, naquele lapso de tempo e que aquele momento fosse a eternidade, era meu desejo, mas, apesar do desejo o tempo continuou sua caminhada sem parar, fazendo da realidade da separação novamente um fantasma real, palpável, ali zombando de nós, eu e Socorro, olhando a volta da normalidade dos dias de branco cheios de saudades.
Mesmo agora no vazio do apartamento ainda ouço as vozes alegres e eternas dos meninos tanto netos quanto filhos e nora. Queria ter uma prebenda que me desse condições de diminuir o espaço entre as férias, patrocinando sempre esses encontros tão agradáveis, claro que é só um desejo do fundo do coração solitário.
- Vô, te amo – é a vozinha do Enzo trazida pelos ventos rápidos e quentes de Roraima. Está no telefone e acabou de chegar de volta à sua nova moradia em Boa Vista. Quer que eu vá lá jogar Mário em seu DSi; - Sou o melhor, continua ele, com uma voz cheia de desafio e de carinho. – Fale aqui com o Xandre... Tchau, te amo e não me deu tempo de responder que também o amo.
- Oi, vô. Sou eu, o Alexandre Neto. Estou brincando com meus colegas de rua, mas, estou com saudades daí. Tchau, eles estão me chamando. Te amo, vô.
- Ei, digo eu, eu amo vocês também, não demora e vou aí brincar com vocês, digo para um telefone onde só se ouve o som de descontinuidade.
- Vô, vamo brigá?
É o João Gabriel que está me puxando pela calça querendo brincar de briga. Tem sangue de lutador. Meu cunhado George pensa nele como um grande jogador de futebol. – Vai ser um meia direita ou talvez um grande goleador, não sei, mas, vai ser um grande jogador de futebol.
Olho para ele, pequerrucho, com as mãos fechadas como um mini lutador de boxe, fedelho me encarando, levando a sério a briga. Rio e rio alto de tanta petulância do menino.
Tento, sem sucesso, imaginar o futuro. Todos os netos já crescidos, formando e crescendo seus próprios mundos e sei que fantásticos mundos, e, eu ali tentando entender a enorme capacidade criadora desenvolvida ao longo dos anos de estudo e da reação ao estímulo da concorrência. O João, não um jogador de futebol, mas, um pensador, criador de mundos que não posso imaginar. O Alexandre Neto engenheiro mecatrônico, com seus carros avançadíssimos, cruzando os céus da cidade em velocidades inimagináveis. O Enzo, sim, comunicativo, incrivelmente “sarado”, fazendo graça com a bola, alegre, sabendo o que quer da vida. O Guilherme no meu colo chama-me de volta a realidade. Chora, pois, está na hora de comer, e, logo, urgente. Em seus dois meses, ainda não sabe fazer outra coisa a não ser comer e dormir, se preparando para o futuro que agora parece tão longe e que na verdade está bem aqui, tão perto.
Olho para o horizonte, de minha varanda, e vejo o futuro que não estou preparado, como eles, a entender e ter. Conformo-me e volto para a solidão do meu coração.
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